- O Primeiro Forró da Lua, em novembro de 2002, a entrada foi gratuita, cobrou-se apenas uma cota para os que estavam dançando, assim como era feito nos antigas festas de forró;

- Artitas que se apresentaram pela ultima vez de suas vidas no Forró da Lua: Elino Julião, Chiquinha do Acordeon e Marinês.

- O Horário – No início começava às 17:30 e terminava à meia noite, porque na época das apartações esses bailes eram realizados sempre após a atividade vaqueira, portanto no início da noite. Hoje, devido à pedidos de pessoas que trabalham em shoppings, e são obrigados a trabalhar até às 22 horas, começamos às 19 e terminamos às 2 horas da madrugada.

- A fogueira – Desde o 1º dia, todas as noites temos acesa uma fogueira, como símbolo das noites sertanejas de outrora.

- O piso – Todo o piso do salão principal é marcado pelo chapéu de couro nordestino que Luiz Gonzaga imortalizou.

- As bilheterias – O local onde se compra as bebidas e tira-gostos, tem o formato de um loro (correia de couro que serve para prender os estribos) e um estribo (local onde o vaqueiro apóia os pés quando montado).

- Iluminação – Boa parte do local é iluminado com candeeiros.

- É proibido cantar músicas que incitem ou valorizem a prostituição, a bebedeira ou a desordem. É sugerido aos músicos, que vão usar o microfone, não usarem sotaque e expressões de outras regiões, como dar boa “noitche” ou chamar o povo de galera, cair de ponta cabeça, e outras coisas mais que estão adquirindo por imposição da mídia que vem do Sudeste.

- Por ter um espaço bem-caracterizado, a Fazenda Bonfim, onde acontece o Forró da Lua, foi a escolhida pela produção do longa-metragem “O Homem que desafiou o Diabo – As Pelejas de Ojuara” como set de filmagens das primeiras cenas do ator Marcos Palmeira, protagonista do filme dirigido por Moacir Goes. Além do espaço do Forró da Lua, foi escolhido também um cavalo da fazenda, que aparece no filme como sendo do Ojuara, o Violão. Também o dublê do protagonista foi o vaqueiro também da Fazenda Bonfim.

- Há seis anos a Fazenda Bonfim realiza “A Pega de Boi no Mato”, que acontece uma vez ao ano, sempre na primeira semana do mês de dezembro, período em que, no passado, era época de recolhimento do gado.

A apartação da Fazenda Bonfim é aberta ao público, e o seu realizador quer mesmo incentivar a visita principalmente de estudantes.

- Em sete anos de atividades o Forró da Lua já recebeu e reverenciou nomes como a cantora e sanfoneira paraibana Marinês, o cantor, sanfoneiro e compositor pernambucano Dominguinhos, o forrozeiro Genival Lacerda, o cearense Waldonys, o potiguar Elino Julião — que fez lá seu último show antes de falecer em maio de 2006 —, o pernambucano Petrúcio Amorim, a veterana Chiquinha Gonzaga (irmã de Gonzagão), o cantor e sanfoneiro Arlindo dos 8 baixos, a sanfoneira Chiquinha do Acordeon – também já falecida, considerada por Luiz Gonzaga a “dama do forró” — e ainda: Os Três do Nordeste, grupo Assum Preto, Zé Moré e Nenéu, Arnaldo Farias, Jaqueline Alves, o sanfoneiro Santana, Os Maiorais do Forró, Joquinha Gonzaga, Trio Remelexo, entre muitos outros.

- O Museu do Vaqueiro do Forró da Lua tem entre as inúmeras peças do homem sertanejo a jibão, as perneiras e a sela que o ator Marcos Palmeira usou nas filmagens de “O homem que desafiou o Diabo – As Pelejas de Ojuara”.

 

Alguma coisa está fora de ordem...

O jornalista e crítico José Teles em uma matéria publicada no Jornal do Comércio, de Pernambuco, sobre o chamado forró estilizado, que está lotando casas de show e praças públicas, principalmente nas cidades interioranas do Nordeste, ficou escandalizado ao ouvir algumas das músicas de várias bandas que seguem essa linha grotesca, do achincalhe e da desmoralização a mulher.

O caso, na verdade, já havia chamado a atenção de grandes Mestres. Por exemplo, Ariano Suassuna, após uma de suas aulas-espetáculo, foi bastante criticado, por ter 'malhado' uma música da banda Calipso, apontado-a de mau gosto. Quando mostraram ao Suassuna algumas letras das bandas desse tipo de 'forró', ele exclamou: 'Eita, que está pior do que eu pensava'. Do que ele pensava e do que muito mais gente jamais imaginou.

Para conhecer algumas letras e as respectivas bandas, José Teles foi na fonte e lá se deparou com 'Calcinha no chão' (Banda Caviar com Rapadura), 'João Priquito' (Cantor Duquinha), 'Fiel à putaria' (Banda de Felipão Forró Moral), 'Chefe do puteiro' (Banda Aviões do forró), 'Mulher roleira' (Banda Saia Rodada), 'Mulher roleira a resposta' (Banda Forró Real).

Encontrou também 'Chico Rola' (Banda Bonde do Forró), 'Banho de língua' (Banda Solteirões do Forró), 'Vou dá-lhe de cano de ferro' (Banda Forró Chacal), 'Dinheiro na mão, calcinha no chão' (Banda Saia Rodada), 'Sou viciado em putaria' (Banda Ferro na Boneca), 'Abre as pernas e dá uma sentadinha' (Banda Gaviões do forró), 'Tapa na cara, puxão no cabelo' (Banda Swing do forró) entre tantas 'pérolas' desta artilharia que anda povoando a mentes de quem, parece não pensar, desconhece a boa música brasileira. Diante de todas essas possibilidades, José Teles disse que toda essa esculhambação tem uma origem.

Veja o que escreveu o jornalista:

"Esta 'esculhambação' não é culpa exatamente das bandas ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco tá mais embaixo. Faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se.

Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas do turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos Alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estático. Pior, o glamour, a facilidade estática, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem.

Quando canta uma canção (canção??!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'E vou dá-lhe de cano de ferro e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente.

Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos... não precisa dizer mais nada...'

Espaço Relabucho - Entrada da Lagoa do Bonfim - São José do Mipibú/RN