PEGA DE BOI NO MATO: COMPETIÇÃO DE APARTAÇÃO

Assim como o aboio, a pega de boi é uma tradição do vaqueiro nordestino. E a mata da caatinga é cenário para essa tradicional atividade da pecuária nordestina, quase esquecida pelos mais jovens. Inspirado em tudo o que viveu na sua infância, Marcos Lopes luta para preservar a memória do sertanejo, valorizando a figura do vaqueiro e suas práticas herdadas do trabalho com o gado e do lazer.

Há seis anos a Fazenda Bonfim realiza “A Pega de Boi no Mato”, que acontece uma vez ao ano, sempre na primeira semana do mês de dezembro, período em que, no passado, era época de recolhimento do gado.

A apartação da Fazenda Bonfim é aberta ao público, e o seu realizador quer mesmo incentivar a visita principalmente de estudantes. A dificuldade em atrair esse público é que justamente a data coincide com as férias escolares. Marcos espera que a cada ano o local atraia mais gente, desde estudantes universitários a turistas.

A Pega de Boi da Fazenda Bonfim marcou o início do Forró da Lua, em 2003. As competições do local têm poucos participantes – geralmente pessoas do meio rural e agropecuário —, e nela os vaqueiros participantes podem demonstrar sua destreza e valentia, mas sempre à caráter. “Os vaqueiros devem vir com o traje característico, com jaqueta, perneiras, gibão, sela”, informa Lopes.

O parque de apartação da Bonfim está aberto a realização de outros torneios e campeonatos, envolvendo participantes do Estado e das comunidades vizinhas nas artes das Carreiras de Prado, Pegas de Boi, Corridas de Jegue e Cavalhadas, dentre outras atividades.  

No calendário do espaço, já foram realizadas seis edições da Pega de boi, e mais duas Missas do Vaqueiro, além do próprio Forró da Lua. “Tudo o que fiz foi resgatar uma atividade desaparecida, que eu mesmo vivenciei na infância. Meu pai me levava nas fazendas de Augusto Severo e Campo Grande, lá haviam as apartações e depois tinha o forró, bastava uma rabeca ou sanfona”, conta Marcos Lopes.

 A historia da apartação do gado

 Nas fazendas de antigamente, o gado era criado solto em capoeiras e caatingas. A cada temporada ou fim de estação, os fazendeiros organizavam o que eles chamavam de “pega de boi”.

Uma festa onde se reuniam todos os vaqueiros da região para pegar o gado que vivia na solta e que seria marcado a ferro, castrado e conduzido para áreas onde os pastos existissem em maior abundância. Essa tarefa era difícil.

Os animais viviam em áreas de mato fechado, cheias de espinhos e galhos secos. O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem. A festa após a recolhida do gado era como uma compensação do fazendeiro aos seus vaqueiros.

A “Pega do Boi” deu origem às vaquejadas, mas sua forma ancestral, ainda é praticada em muitas cidades nordestinas, inclusive em forma de competição.

Espaço Relabucho - Entrada da Lagoa do Bonfim - São José do Mipibú/RN